Quais são os desafios actuais da administração autárquica ?


Inovação Autárquica member

Lancei no “Inovação Autárquica” uma discussão sobre os desafios que a administração autárquica enfrenta actualmente. Apresento aqui uma cópia do que foram algumas opiniões lá expressas.

Convido-vos a acompanhar estas (e outras) debates aqui.

 

Quais são os desafios actuais da administração autárquica ?

Hugo CartaxeiroTenho para mim que as autarquias enfrentam actualmente alguns desafios muito importantes. Essencialmente através de uma nova percepção de serviço público e sobretudo alavancado pelas mais recentes evoluções tecnológicas.
Quais são estes desafios? Elaborei esta lista, mas gosta de poder ouvir a vossa opinião e os vossos comentários.
-Melhorar o atendimento ao munícipe
-Aumentar a eficiência operacional
-Conformidade e responsabilização
-Potenciar soluções tecnológicas
-Respeitar o meio ambiente
-Desenvolver a economia local
-Estimular a acção social
-Elevar os níveis educacionais
-Trabalho colaborativo e serviços partilhados
-Melhorar a Produtividade dos Colaboradores
(não necessariamente por esta ordem).

 

  1. Nuno Salvador

    Nuno Salvador

    Concordo Hugo, e até acrescento algumas mais específicas nas TI:
    -Enquadrar o Cartão de Cidadão no atendimento ao munícipe
    -Implementar Business Intelligence (BI)
    -Implementar Business process management (BPM)
    -Implementar a metodologia Common Assessment Framework (CAF)
    – …

     

  2. Jose Luiz Moutinho

    Jose Luiz Moutinho

    O 5 principais desafios actuais das autarquias Portuguesas são, na minha opinião, os seguintes:
    a) Descobrir uma forma de romper com o passado, transformando-se de instituição paternalista e burocrática em organização mobilizadora da sociedade civil para o crescimento económico e o desenvolvimento social e humano. O motor deve voltar a ser a sociedade civil, organizada de quarteirão a quarteirão, de bairro a bairro e de comunidade a comunidade, participando e oferecendo o seu melhor para mudar o mundo a nível local e global.
    b) Aprender a partilhar os processos de decisão com os cidadãos e assim sendo promover a cidadania, fomentar políticas públicas participativas e alavancar a criatividade e a capacidade de inovação de todos os munícipes. As autarquias (como todos os governos tem sempre tendência a repetir) isolaram-se do mundo exterior, perdidas nos seus problemas organizacionais, políticos e financeiros, e se esqueceram que a capacidade de mudança está nas pessoas (de todas as pessoas) e nas ideias destas pessoas.
    c) Reduzir ao máximo o número de procedimentos (já estudei autarquias que tinham 586 procedimentos diferentes!) através da adopção dos princípios dos serviços esbeltos ("lean services" – autarquia esbelta! sem gordura!) e da customização em massa ("mass customization") para permitir a satisfação individual dos munícipes ao mesmo tempo que simplifica e reduz a carga burocrática dos seus processos de trabalho. Isto obrigará a reestruturar as autarquias por "linhas de produção" orientadas para os munícipes e empresas. A revolução industrial já nos mostrou o caminho há séculos. Para isso, é fundamental começar por quebrar os silos institucionais (as famosas "quintinhas") e integrar as operações de forma transparente e transversal não só para os cidadãos e empresas, mas também para os próprios funcionários camarários.
    d) Entender que o acesso em banda larga é uma estrutura em rede análoga à rede de abastecimento de água, redes de electricidade ou redes rodoviárias e por isso deve ser considerada um bem comum e não um oligopólio regulado por pressupostos ultrapassados. As autarquias devem construir e explorar este bem comum (ver o exemplo das Open Access Networks), considerado um aspecto crítico não só para a produção e distribuição de conteúdos digitais, mas também para a criação de novas oportunidades de emprego e de novos negócios.
    e) Aumentar o nível de escolaridade e diminuir a desigualdade. Portugal está em penúltimo lugar no ranking do nível de escolaridade da população entre os 27 países membros da União Europeia (Eurostat, 2008). Pouco mais do que um quarto da população (28%) entre os 16 e os 64 anos têm o secundário completo. O último lugar do ranking é ocupado por Malta, que apresenta valores muito próximos de Portugal. O nosso índice GINI, que mede a desigualdade, apresenta o segundo maior valor (38) entre os 27 países membros da EU, sendo que apenas a Letónia apresenta um valor mais elevado (39), mas ainda muito próximo de Portugal. Comparando com países fora da UE, pertencentes a OCDE, Portugal apresenta um valor de desigualdade próximo, mas ainda superior, ao dos Estados Unidos e inferior apenas à Turquia e ao México, que apresentam os valores de respectivamente 43 e 47.
    A combinação das condições acima descritas acrescentam dificuldades na trajectória de convergência de Portugal com os países europeus mais adiantados na economia do conhecimento. De facto, Portugal também se posiciona na cauda da Europa em relação aos indicadores estruturais da sociedade da informação com baixos índices de penetração de computadores, acesso à Internet e acesso em banda larga . As tendências globais e as contingências nacionais e locais reforçam a necessidade da profunda discussão – participativa – dos desafios actuais e dos caminhos futuros que desejamos para as nossas autarquias.

     

  3. Vitor Carvalho

    Vitor Carvalho

    No essencial concordo com todos os pontos ja apresentados nos posts colocados.
    Há no entanto uma grande transformação política que aumenta de forma significativa as responsabilidades dos Municipios.
    A Educação , a Saúde , a Acção Social são desafios emergentes que contarão no futuro com uma participação Autárquica de grande responsabilidade.
    Os desafios são mais que muitos e as grandes "Bus Words", como segurança, compliance, gestão e desenvolvimento económico estarão no dia a dia das Autarquias.
    Onde vamos então buscar competencias para podermos gerir o que hoje é já conhecido, convergendo com estes novos desafios?
    Esta é a grande questão e a grande responsabilidade que nós do lado dos IT e SI temos o dever de enquadrar da melhor forma na oferta que levamos aos municipios ou que devemos gerir, dependendo do lado onde estamos.
    Dentro ou fora dos Municipios.

     

  4. margarida menezes

    margarida menezes

    Concordando com tudo o que já afirmaram , defendo que quando aceitarmos que a governação e gestão de um País deve começar na organização , autonomia e intervenção activa de cada Autarquia e ser olhada pelo poder central não como um membro menor em importância e capacidade de actuação mas sim como um polo de orientação para a gestão global de Portugal, talvez se passe a viver de forma mais objectiva em relação aos interesses e necessidades, e principalmente aptidões que temos de forma diferente, em diferentes pontos do País.

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