Redução de custos nas Tecnologias de Informação e Comunicação


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O plano global estratégico de racionalização e redução de custos nas Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC), na Administração Pública, no qual o Grupo de Projecto GPTIC, criado pela resolução de Conselho de Ministros n.º 46/2011 de 14 de Novembro, trabalhou nos últimos dois meses com elevadíssimo grau de dedicação e empenho à causa pública, é a pedra basilar sobre a qual assentará a racionalização dos investimentos e gestão das TIC em Portugal, permitindo por um lado um corte de custos muitíssimo significativo e, por outro, um não menos relevante ganho em eficiência. O Governo de Portugal propôs-se no seu programa de Governo pôr termo ao despesismo sem controlo reinante até à sua tomada de posse.

O plano assenta em cinco vectores estratégicos:

  • (i) melhoria dos mecanismos de governabilidade,
  • (ii) redução de custos,
  • (iii) implementação de soluções TIC comuns,
  • (iv) utilização das TIC para potenciar a mudança e a modernização administrativa e
  • (v) estímulo ao crescimento económico.

Delineia-se através do presente plano em traços muito claros e definidos a forma de cumprimento das obrigações assumidas a este nível pelo Estado Português no memorando assinado com o Fundo Monetário Internacional, o Banco Central Europeu e a Comissão Europeia assumindo assim a redução e a racionalização dos gastos públicos como centrais à sustentabilidade do país.

As medidas propostas apresentam uma redução potencial de custos, após implementação global deste programa, superior a500 milhões de euros por ano, para a Administração central. As medidas propostas no plano são inteiramente válidas e replicáveis no âmbito da Administração regional e local. Saliente-se a este propósito que o programa Simplex Autárquico, que envolve já mais de 120 Municípios, é um instrumento decisivo para que logremos alcançar esse objectivo.

Plano global estratégico de racionalização e redução de custos nas tecnologias de informação e comunicação Tipo: PDF, Peso: 2,04Mb

In PLANO GLOBAL ESTRATÉGICO DE RACIONALIZAÇÃO E REDUÇÃO DE CUSTOS NAS TECNOLOGIAS DE INFORMAÇÃO E COMUNICAÇÃO, Portal do Governo

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Governo pretende reduzir a menos de metade custos com a informática


A notícia de que o Governo Português, liderado por Miguel Relvas, pretende reduzir a menos de metade os custos com informática é algo que só pode ser recebido com um misto de perplexidade e inquietação.

A notícia do Público é pequena e parca em pormenores, mas através dela ficamos a saber muitas coisas, quer pelo que ela diz, quer pelo que omite.

A saber:

  1. O Governo Português considera a informática como um custo e não como um investimento;
  2. O Governo Português, ao contabilizar aquilo que gasta/investe, ignora os benefícios desse gasto/investimento;
  3. O Governo Português considera negativo que os custos em informática tenham aumentado;
  4. Entre outras coisas, o Governo Português pensa que a opção por software Open Source é equivalente a poupar dinheiro;
  5. O Governo Actual retoma, e bem, o projecto de concentração de recursos de hardware que já tinha sido anunciado pelo Governo Anterior.

É bom lembrar que tudo isto acontece numa altura em que este mesmo governo insiste — e com razão — no tema da “produtividade” como forma de sairmos da crise em que nos encontramos.

O tema do dinheiro investido (e não apenas gasto) em informática é-me bastante querido, pois a minha empresa, caso não tivesse realizado os investimentos em sistemas de informação que fez desde 2007 pura e simplesmente… não existiria, por incapacidade de competir. É através destes investimentos que conseguimos produzir tanto com recursos comparativamente tão pequenos e, em função disso, oferecer serviços competitivos e de qualidade aos nossos clientes.

Ora só os mais cínicos é que podem achar que o mesmo não tem acontecido nos últimos anos na nossa Administração Pública. Ou será que as Lojas do Cidadão surgiram do ar? Ou que é possível criar uma empresa em 1 hora (como eu criei a minha) porque há mais pessoas sentadas à secretária a preencher formulários…?

E, já agora, quantos milhares de horas se pouparam — ou seja, se ganharam, se traduziram em aumentos de produtividade — só porque imensos serviços que eram anteriormente prestados presencialmente podem agora ser concretizados através da Internet…? Atrevo-me a dizer que o país provavelmente ganhou muitos mais milhões do que aqueles que “gastou” a modernizar a Administração Pública…

Finalmente, sobre a questão do software Open Source, é bom reposicionar a discussão como ela deve ser reposicionada: os investimentos em projectos de TI devem ser feitos utilizando o melhor software disponível — quer este seja comercial ou Open Source ou uma conjugação de ambos.

Dito isto, não me custa a imaginar que terá havido maus investimentos e dinheiro mal gasto em informática nos últimos anos — o mesmo terá certamente acontecido em inúmeras outras áreas, e não acho que a das TIs tenha sido imune. Como tal, esses eventuais sobrecustos e maus investimentos deverão ser investigados e corrigidos.

Agora agitar a bandeira dos cortes drásticos nos investimentos em informática como se isso fosse uma coisa positiva é algo muito diferente: é algo muito grave. Grave porque demonstra que quem neste momento nos governa não faz a mínima ideia do que está a fazer e, pior do que tudo, confunde gastos com investimentos, ignorando que se os excessos dos primeiros podem empobrecer-nos, não realizar os últimos pode arruinar-nos.

P.S.: Há dias fiz um caso de estudo para um cliente sobre um projecto que envolveu um investimento da ordem dos 500.000 euros, incluindo não apenas o software mas também a implementação do projecto, que foi feita por uma consultora externa. O projecto, uma vez implementado a 100%, irá trazer uma poupança de custos a 3 anos de cerca de… 5 milhões de euros. Uma poupança em tempo, dinheiro, recursos humanos, produtividade ganha e maior qualidade dos resultados. Exemplos destes tenho-os aos molhos e exemplificam bem o poder da informática e a sua capacidade em reduzir custos.

Texto original da autoria de António Eduardo Marques publicado no seu blog Techhoje.

Como poupar 11 mil milhões de euros


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Este poderia ser o titulo do estudo realizado pela APDC apresentado no seu 21º congresso em Novembro. O estudo chama-se 11 Mil Milhões de Razões e apresenta-se assim:

Como alcançar as metas de redução do défice definidas com a ‘troika’?

“A Economia Portuguesa enfrenta desafios consideráveis. Os indicadores de competitividade têm sido afectados, o crescimento económico tem-se revelado fraco e o défice da balança corrente situa-se nos 10% do PIB”. É assim que começa a versão portuguesa do Memorando de Políticas Económicas e Financeiras, datada de 17 de Maio de 2011.
O objectivo é reduzir um total aproximado de 11 mil milhões de euros no período dos 3 anos. “Portugal não pode falhar”, avisam o Presidente da República e o Presidente da Comissão Europeia.
Nesta sessão, a APDC irá apresentar o seu contributo. Um documento onde propõe a adopção de seis iniciativas tecnológicas estratégicas e prioritárias que podem contribuir para o esforço pedido ao país, ao mesmo tempo que desempenharão um papel crucial nas reformas necessárias para que Portugal tenha um futuro inovador e de crescimento.

 

O estudo pode ser encontrado aqui, e identifica áreas de poupança concreta e explica como. Este quadro resume onde e como se encontram estes 11.000.000.000 de Euros.image

Curioso que 9.000.000.000 sejam conseguidos, apenas, com melhor controlo orçamental e redução dos níveis de fraude. Pode ser um bom indicador para ações de melhoria para os organismos públicos.

Este estudo incide apenas na administração central. Interessante seria, também, realizar estudo semelhante para a administração regional e local. Quanto mais poupança se poderia acrescentar a esta lista?